Eu te amo. Mas odeio dormir ao seu lado

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Ouvi uma vez alguém muito sábio dizer que na receita de um casamento longevo e feliz, cada um deveria ter seu próprio quarto, sua própria cama. Isso soa como uma falta de romantismo completa, mas confesso que atualmente não posso concordar mais com essa máxima.

Dormir de conchinha é lindo, é romântico, é fofo. Mas só funciona na tela do cinema. Na vida real, o braço do amado pesando sobre a sua cintura vai te causar um grande desconforto. Se não for isso, será a mão que ficará dormente te impedindo de cair no sono. Não rola.

E se a sua cara-metade ronca tal e qual uma furadeira e te impede de dormir? Não há relacionamento que sobreviva a insônia, vai me desculpar. E nem tampões de ouvido, chute nas canelas debaixo das cobertas ou travesseiro da Nasa que deem conta de acabar com o ronco. E pior é quando o bonitão diz que é tudo invenção e que ele não ronca coisa nenhuma. Crime passional com alegação de legítima defesa.

Há quem prefira dormir na escuridão total (meu caso) e um pequeno facho de luz pode se tornar um enorme problema. Imagina se o seu parceiro prefere dormir com a luzinha de cabeceira acesa ou com as cortinas abertas. Não há compatibilidade. Tem os que gostam de adormecer ao som da TV e os que não suportam nenhum tipo de barulho. Não há casamento possível numa situação dessas. Há os que acordam no meio da madrugada pra tomar água, assaltar a geladeira ou ir ao banheiro, enquanto a tampa da sua panela dorme pesado o sono dos justos. Há os espaçosos, que tomam conta da cama inteirinha e te espremem num cantinho. Há os ladrões de cobertas que te fazem passar frio a noite toda e acordar resfriada e mau humorada no dia seguinte. E o que falar sobre os calorentos que gostam de dormir com o ar condicionado ligado no modo inverno na Sibéria enquanto o chinelo velho do seu pé torto não consegue nem com um ventilador ligado?

Acho que o amor e o casamento já passam por inúmeras dificuldades involuntárias e incontroláveis ao longo do tempo e já se veem obrigados a lidar com uma série de outros fatores que fazem de tudo pra tentar abalar suas estruturas. É realmente necessário submeter o amor a uma noite de pesadelo? Em nome de que? De uma convenção social estabelecida sabe-se lá por quem e quando?

Eu te amo, meu amor. Mas odeio dormir ao seu lado.


Foto: Pexel

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