9 coisas que a vida na Austrália te ensina (e você deveria aprender)

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Além do inglês, tem muitas outras coisas importantes que você aprende ou pelo menos deveria aprender ao vir morar na Austrália. Acho que a partir do momento em que você se dispõe a sair do seu país pra ir viver em outra sociedade, o mínimo que você fazer é mergulhar e abraçar a nova cultura onde estará inserido. Aprenda as lições que são ensinadas em países verdadeiramente desenvolvidos e de primeiro mundo. Estou falando em Austrália só porque é aqui que eu moro e essa é a referência que eu tenho, mas posso apostar que quem vive em Londres, Canadá, Dublin, Estados Unidos deve ter a mesma percepção.


1. Menos é mais
Viver longe do nosso país de origem, daquele lugar confortável e familiar onde nascemos e crecemos, nos ensina e nos obriga a viver com menos. Primeiro porque obviamente não temos a soma dos anos acumulando tranqueiras desnecessárias e nem dá pra trazer na mala tudo o que gostaríamos. Segundo porque não haverá espaço pra acúmulos. E terceiro porque em países desenvolvidos e seguros podemos aproveitar e usufruir do espaço público sem medo. Esse simples fato acaba nos tirando dos shoppings centers e outros templos de consumo. Podemos curtir uma tarde de domingo deitados gratuitamente e tranquilamente na grama de um parque ao invés de termos que nos refugiar num centro de compras porque é a única opção segura de lazer que temos. Consequentemente por termos opções de viver a vida ao ar livre, acabamos consumindo e acumulando menos e tendo mais experiências que não envolvem nenhum valor monetário. E olhem que incrível, a gente se acostuma com isso! Se acostuma facilmente a não frequentar o shopping e a comprar bem menos. E percebemos que não precisamos gastar rios de dinheiro e nos rodear de tralhas pra que possamos ter momentos de felicidade.

É esse o seu conceito de felicidade?


2. Fogueira das vaidades
Não sei como é em outros países, mas aqui na Austrália e especialmente em Sydney o lifestyle é muito despretensioso. É comum ver pessoas indo ao supermercado ou ao banco de pés descalços ou de pijama. Vejo diariamente no centro da cidade mulheres bem vestidas e usando tênis de corrida ou havaianas ao invés de salto alto, que elas inteligentemente carregam na bolsa e só calçam quando chegam ao escritório.
Conto nos dedos as vezes em que fui na manicure nesses mais de 2 anos em que moro aqui. No Brasil eu ia toda a semana e não conseguia imaginar a vida sem ter minhas unhas impecavelmente feitas e pintadas de esmalte colorido. Hoje vivo muito bem sem esse tipo de vaidade e não me sinto pior por isso.
A aparência tem bem menos relevância do que o conteúdo. Seu caráter conta mais do que a roupa que você veste ou do que o carro que você orgulhosamente dirige.

Sim, vou ao mercado sem sapatos. E ao banco também.

3. Eu, tu, nós, eles: vivendo em comunidade
A sensação que eu tenho do país de onde vim é que lá é cada um no seu quadrado e o espírito de comunidade só se manifesta diante de uma catástrofe. Ninguém se importa com ninguém, ninguém respeita o espaço alheio. Se eu quero ouvir música alta no meu apartamento às 10 da noite, se rale você pra dormir com o barulho. Se eu to com pressa e estaciono meu carro ocupando duas vagas, se vire você pra achar um espaço pra estacionar. Resumindo, se está bom pra mim você que se exploda.
Não vejo isso aqui na Austrália e aliás, vejo o oposto. O senso de comunidade e o respeito para com o outro tá no dia-a-dia da sociedade. Vejo criancinhas pequenas sendo treinadas pra prestar socorro no mar porque não dá pra contar só com a ajuda dos salva-vidas. Vejo pessoas viajando em silêncio no transporte público e respeitando o espaço coletivo. Vejo banheiros públicos limpos, vejo gentileza entre as pessoas. Vejo várias iniciativas voluntárias o ano todo onde a comunidade se mobiliza em prol de diversas causas diferentes e não só quando algum desastre acontece.

4. Existe vida à vista e pagando em dinheiro
Pra mim essa é a melhor parte.
Não existe a menor possibilidade de se viver no Brasil sem um cartão de crédito. O país inteiro vive por conta de um dinheiro que não tem, pagando contas intermináveis porque parcela tudo o que pode. Aqui na Austrália à priori quem está no visto de estudante não tem acesso a cartão de crédito. E mesmo quem tem, não consegue parcelar porque parcelamento aqui não existe. Então é assim que eu e a maior parte da estudantada vive: pagando tudo no débito automático ou com dinheiro mesmo. E como é bom e libertador saber que nunca irá chegar uma fatura cheia de parcelas pra pagar! É indescritível o sentimento. E acredite, ainda assim compramos carro, roupa, comida, passagem de avião, diárias em hotel, Iphone e mais um monte de outras coisas que jamais conseguiríamos adquirir no Brasil sem cartão de crédito parcelado em 12 vezes sem juros.

Crédito ou débito? Vou pagar no cash mesmo

5. A dignidade de qualquer trabalho
Já cansei de falar isso, mas vou repetir caso você não tenha lido antes: aqui na Austrália qualquer trabalho é só trabalho e não qualifica você como melhor ou pior do que ninguém. Seu cargo ou ocupação dificilmente irá segreá-lo. Ninguém irá te tratar melhor ou pior, te olhar diferente, te incluir ou excluir se você for o presidente da empresa ou o faxineiro.

6. A lei existe. E é respeitada.
A lei no Brasil privilegia e acoberta quem é rico, mas funciona com rigor pra quem vive nas camadas inferiores da sociedade. Deve ser por isso que os corruptos ladrões de milhões passam impunes, se criam e procriam com a maior facilidade.
O que me fascina aqui na Austrália é que a lei é única e se aplica à todos, independente da classe social ou do extrato bancário. Ja vi cidadão todo empertigado de terno e gravata sendo abordado e multado pela polícia só porque atravessou a rua quando o sinal estava fechado para pedestres. Ja houve um episódio de um político australiano que recebeu indevidamente uma garrafa de champanhe caríssimo e renunciou ao cargo por ter descumprido a lei que dizia que políticos não podem aceitar presentes.
Aqui a lei não é só um texto escrito no código civil e penal e nos almanaques de direito, ela é levada a sério e respeitada, exatamente como deveria ser em qualquer canto do mundo.


Welcome mate

7. Mi casa, su casa
Dividir a casa com estranhos é algo impensável no Brasil. No máximo você vai dividir um apartamento de 2 quartos com um amigo próximo, ja que o preço da moradia por la ainda é relativamente aceitável. Vir morar na Austrália significa dividir a casa e até o mesmo quarto com um monte de gente que você nunca viu antes. E isso não se aplica apenas ao núcleo pobre da novela (os estudantes internacionais). É bem comum que cidadãos australianos aluguem um cômodo da casa pra algum total desconhecido. Especialmente em Sydney, uma das cidades onde o preço de um imóvel é dos mais altos do planeta, essa prática de dividir casa é altamente comum. Taí o Flatmates.com pra não me deixar mentir.

Todo mundo junto e misturado

8. Amar e respeitar a própria pátria
Não há nada mais lindo do que um cidadão que ama a sua pátria, o seu país. E taí uma coisa que me causa inveja na Austrália: o amor e o orgulho que os australianos tem por terem nascido aqui.
Uma vez no ônibus à caminho do centro de Sydney, dois australianos sentados atrás de mim comentavam o quanto se sentiam sortudos e abençoados por terem nascido e crescido aqui. No momento em que o ônibus cruzava a Harbour Bridge numa manhã de sol e a Ópera House enfeitava aquela paisagem suficientemente cinematográfica, um deles falou pro outro “olha isso! Olha que privilégio nós temos de sermos nascidos e de morarmos nessa cidade onde todo mundo quer passar férias. Eu adoro viajar pro exterior, mas pra mim não existe país igual a Austrália.”
Não é incomum ver bandeiras da Austrália estendidas nas janelas das casas. Tudo o que é produzido aqui carrega um selo estampado dizendo “Australian owned and made”. É emocionante ver as cerimônias pela memória dos combatentes e veteranos de guerra durante o ANZAC Day. 
Esse respeito e orgulho que eles tem pela pátria deveria servir de exemplo.

Anzac Day

9. As sandálias da humildade são vendidas pro seu número
Todo forasteiro que chega nessa terra é só mais um forasteiro. Esqueça o cargo que você ocupava no Brasil, esqueça a empresa pra qual você trabalhava, esqueça o carro que dirigia, esqueça os privilégios e as costas quentes que tinha por ser filho de sei lá eu de quem. Aqui você será só mais um na multidão e seu passado de glórias vai contar pouco ou quase nada a seu favor. Botar banca só vai te fazer parecer arrogante.
Experimente então calçar as famosas sandálias da humildade e se dê conta de que você precisa aprender a viver de novo, a construir do zero a sua imagem e reputação, a mostrar o seu valor. Não há nada mais engrandecedor do que isso, nem mesmo um sobrenome pomposo que abre portas automaticamente ou um cargo importante no Brasil.

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2 comentários

  1. Demais o post Lu! Vc retratou fielmente o que é este país maravilhoso. Continue escrevendo pq adoro seus posts. Bjs e felicidades. Janaina Milani

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  2. Vi seu vídeo no canal da Marcia Percival, que me trouxe até aqui...A leitura aqui está nos ajudando a tomar a decisão de ir pra Auatrália. Continue com os posts, que além de tudo podem e estão ajudando pessoas a se planejarem, se informarem e criar coragem de tomar uma decisão tão "radical" que é sair do Brasil e ir pro outro lado do mundo

    Felicidades

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