Maquiagem: o enfeite do meu banheiro

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Das lembranças da minha infância uma que trago muito fresca na minha memória é de te crescido acompanhando minha mãe se maquiar todos os dias de manhã pra ir pro trabalho. Aquele seu ritual me fascinava. Ela tinha uma caixa plástica grande onde guardava base, sombras de diferentes cores, blush, pó de arroz, batons, rímel, lápis, pinceis e esponjas e curvex, que era meu favorito. Aquela caixa de maquiagens da minha mãe se assemelhava a um estojo de canetinhas pra mim e minha imaginação sempre muito fértil viajava longe num mundo de possibilidades.

Eu gostava de ver o rosto da minha mãe se enchendo daquelas cores e se transformando. Preciso esclarecer apenas que ela nunca usou maquiagem carregada, era sempre algo sutil, leve, que não fazia com que ela parecesse uma drag queen de jeito algum. E eu, na minha tenra idade, sonhava em me maquiar igual a mãe. Então quando ela saía pra ir trabalhar eu me trancava no banheiro e explorava no meu próprio rosto todas as cores, como se eu mesma fosse uma aquarela. E lógico, eu bagunçava tudo, misturava pinceis, esfarelava sombras, atolava batons. No fim do dia quando minha mãe chegava em casa e se deparava com sua filha (mal) maquiada tal qual um palhaço depois do espetáculo, ela ja sabia que sua caixa de maquiagens estaria devastada e destruída. E eu sabia que ia ficar de castigo.

Brincando com as maquiagens da mamãe


Virei adolescente e rebelde, daquele tipo que não chega perto de um batom e mal penteia o cabelo. Maquiagem passou a representar coisa de patricinha e tudo o que eu não queria no auge dos meus 16 anos era ser taxada de patricinha ou de burguesa, um termo bem comum no início dos anos 90 pra designar gente fresca, metida, asséptica e muito futil. Abandonei todo e qualquer tipo de maquiagem dali por diante.

Patricinha não!!!


E assim virei adulta, sempre com a cara lavada e sem absolutamente nem um batonzinho pra dar uma cor nos lábios. Nada! Nem quando tive melasma, que cobriu minha pele de manchas escuras, eu usei maquiagem pra disfarçar. Então por não ter tido a experiência, eu nunca aprendi a me maquiar. Nunca soube pra que servia aqueles mil diferentes tipos de pinceis pra aplicar sombra. Na época em que acompanhava o ritual da minha mãe, só havia um tipo de pincel e ele cumpria muito bem as suas funções. Base se aplicava com os dedos mesmo. Não existia nem metade da tralha que existe atualmente.

Meu Deus, pra que serve tudo isso?

Porém, sempre gostei de maquiagem mesmo sem usar por não saber. Até hoje eu gosto de passear numa loja e olhar aquela infinidade de coisas das quais mais da metade não sei pra que servem e em qual parte do rosto se aplica. Loja de maquiagem e museu de arte moderna estão no mesmo nível pra mim: um monte de peças colorida e de formas meios loucas, porém, sem que eu consiga entender pra que servem. Adoro ver vídeos de gente se auto maquiando, mas não tenho o menor talento e o menor saco pra reproduzir em casa. Teve uma época em que o Dolar americano valia 1 Real (bons tempos aqueles) e eu ia muito aos freeshops do Uruguai e comprava um monte de maquiagem. Chegava em casa e não sabia usar. Resolvi então dar outro fim praquele monte de potes e embalagens coloridas tão bonitinhas: enfeites de banheiro, itens de decoração. Ficava tudo la na bancada da pia, ornamentando e ornando.

Olha que amor esses enfeites retrôs. Vão ficar lindos no meu banheiro.


Entretanto, tem outro fator mais importante do que a falta de talento pra manusear os pinceis que me mantém longe das maquiagens: eu não gosto do efeito reboco, não gosto de sentir a cara gosmenta e grudenta. Não gosto de não poder piscar os olhos direitos de tanto artifício colado. Não gosto da minha boca vermelha de batom. E principalmente, não gosto de tentar parecer quem eu não sou ou de disfarçar rugas e imperfeições. Elas me incomodam menos do que os quilos de reboco. Me acho muito mais feia de maquiagem do que sem.

Propaganda enganosa. Ou não foi com você que dormi ontem a noite.


Tudo o que eu tenho e uso é o que está nessa foto abaixo. Um quarteto de sombras da Avon que ganhei de um fornecedor na época em que trabalhava la na empresa de computadores, la pelos idos de 2009/2010 e portanto, vencido. Um rimel da marca Benefit que minha mãe me trouxe de uma viagem que ela fez à Nova York em 2011 e portanto, também vencido. Um BB cream que comprei mês passado por inidicação de uma amiga, mas que manchou TODAS as golas das minhas camisas brancas e portanto, uma droga. Um lápis retratil de marca desconhecida e provavelmente vencido que uso como delineador e que normalmente não funciona. E um batom da Natura derretido e quebrado que ganhei de presente de uma amiga. Isso é tudo.

Precisando comprar enfeites novos pro banheiro la de casa



Ontem fui ao shopping e comprei mais um dos infinitos itens de maquiagem que a indústria enfia goela abaixo. Achei bem bonitinho e não faço ideia da utilidade desse objeto. Mas gostei da cor, achei a forma diferente. Combinou tão bem com o meu banheiro.

Bonitinho e ordinário. Mas ornou com os azulejos do banheiro.

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