5 coisas que ninguém te conta sobre morar na Austrália

by - 15:25

Quem vê de longe pensa que a vida da gente que mora aqui na Austrália, mais especificamente em Sydney (meu caso), é um mar de rosas. É muito fácil julgar pelas aparências e pelas fotos de paisagens normalmente estonteantes que a gente posta no Instagram ou no Facebook. Ninguém posta o lado ruim porque o lado ruim a gente sabe que não vende.
Mas sim, existe um lado ruim de morar na Austrália e em Sydney, se te consola. Ainda não inventaram um lugar perfeito, embora isso aqui seja o mais perto que ja conseguiram chegar.
Vamos à lista e você vai entender do que eu estou falando:

1. Clima
Meu primeiro inverno em Sydney foi o pior de todos os 38 que ja havia enfrentando antes. E eu sou gaúcha, nascida e criada em Pelotas, uma cidade úmida e gelada no sul do sul do Brasil. Porém, o inverno de 2015 em Sydney por pouco não me fez arrumar as malas e voltar correndo pros Trópicos. Era um frio de matar que me obrigava a usar touca (nunca usei quando morava no sul), luvas e casaco forrado com pena de ganso. Dormia com 4 cobertores. Sim, você leu direito, 4 cobertores + uma bolsa de água quente + pijama de flanela + meias.
O inverno aqui dura longos meses e diferente do inverno no sul do Brasil, não dá refresco. Aquele negócio de veranico de maio, veranico de julho, aqui não rola. Quando o frio começa vai sem trégua até quase outubro.
E venta. Venta forte aquele vento que vem do mar. Em determinadas ruas do centro da cidade forma-se um túnel de vento insuportável e gélido.  Não é nada agradável.

Pista de patinação no gelo na praia de Bondi, em Sydney. Atração do inverno na cidade.




2. Cama, mesa e banho
Apesar de ser uma ilha cercada de mar por todos os lados, a Austrália sofre um problema crônico de escassez de água e desde pequenos os australianos aprendem a economizar. Isso signifca que tomar aquele banho relaxante e demorado não é uma prática muito comum e bem vista. Pega até mal dizer pra um australiano que você tomou um banho de meia hora. Tomar 2 banhos por dia é um pecado mortal. Em homestay (casa de família) os banhos são limitados a no máximo 5 minutos. E como muitas residências tem aquecedores elétricos, é bem comum acabar a água quente no meio do banho caso alguém se prolongue além do normal.
Arrumar a cama é um desafio igual ou maior do que aprender a falar inglês fluente. Primeiro porque é difícil comprar um jogo de lençóis completo, com lençol de baixo, lençol de cima e fronhas. Aqui tudo é vendido separadamente e no máximo você irá encontrar um jogo que contém um lençol de baixo, uma fronha e uma capa de edredon e é justamente aí que a coisa complica: colocar o edredon dentro da tal capa é um suplício, um desafio digno de reality show e o que não falta são vídeos tutoriais no YouTube pra ensinar a maneira menos complicada de fazer uma tarefa que aparentemente é tão simples. 2 anos morando aqui e até hoje não consigo enfiar o edredon dentro da maldita capa.

Essa sou eu tentando colocar o edredon dentro da capa

Alimentação aqui por essas bandas também pode ser um problemão. O café da manhã geralmente é uma refeição gigantesca com pão, abacate, presunto ou salmão, ovos, frutas. E por causa disso o almoço se resume a um lanchinho leve, um hamburguer, sanduíche ou uma saladinha que os australianos comem enquanto caminham apressadamente pelas ruas ou atirados num parque ou escadaria. Aquele velho e bom hábito brasileiro de sentar à mesa de um restaurante e comer arroz, feijão, carne e algum outro acompanhamento ao meio-dia, não rola. Arroz, aliás, você só vai encontrar em restaurante asiático.
Os intervalos de almoço geralmente são de no máximo 30 minutos e você literalmente vai ter que engolir a comida. A janta é que costuma ser a refeição principal e portanto, onde se come mais e teoricamente, melhor. Porém, se você decidir sair pra jantar, é importante que faça antes das 20h porque as cozinhas da grande maioria dos restaurantes fecha no máximo às 22h. 

3.Diversão
No intuito de manter a ordem, a moral e os bons costumes, o governo australiano exagerou um pouquinho na dose e se divertir na Austrália é quase proibido. Se você chegar na porta de um pub e o segurança achar que você está alcoolizado, você será impedido de entrar mesmo que tenha bebido água a noite toda. Não adianta nem tentar argumentar ou discutir. Vire as costas e vá embora. Se você estiver numa balada, se estiver empolgado dançando ou mais feliz do que a média do pessoal, a chance de você ser convidado a se retirar é grande.
Durante a semana a maioria dos bares e pubs em Sydney  fecham as portas por volta das 23h e no sábado o entra só é liberado até a meia-noite, com excessão de alguns bairros onde dá pra tentar entrar na festa até às 2h da manhã. Não adianta chorar, chantagear, subornar o porteiro, contar uma história triste porque você não vai entrar.
A maior decepção nesse quesito diversão é o reveillón. No Brasil a tradição manda que a gente comemore a chegada do ano novo muito além da meia-noite e o que não falta são festas públicas ou privadas pra virar a noite dançando, bebendo e celebrando até o raiar do dia 1º de janeiro.
Na Austrália isso simplesmente não acontece. Apesar de ter um dos reveillóns mais lindos do mundo, com a espetacular queima de fogos de artifício na Harbour Bridge e na Opera House, em Sydney, tão logo a última centelha se apague, todo mundo vira as costas e vai embora pra casa dormir. É decepcionante, frustrante, entediante. Ninguém pula as sete ondas, acenda vela pros santos na beira da praia ou amanhece o dia dormindo na areia. 

4.Tarifa do transporte público para estudantes internacionais
Na grande maioria dos países, incluindo o Brasil, estudantes pagam tarifas com desconto pra utilização do transporte público.
Aí  você vem pra Austrália com visto de estudante e acha que vai pagar menos pra andar de trem, ônibus ou ferry, certo? Errado! Estudantes internacionais pagam a tarifa cheia do transporte coletivo como todo e qualquer cidadão. Apesar de legalmente só serem autorizados a trabalhar 20 horas semanais, apesar de terem que pagar escolas nada baratas, de pagar impostos como se fossem australianos, aluguel e todo o resto, não há nenhum benefício no transporte público para estudantes internacionais por aqui. 

5.Toque de recolher
Comentei no item 2 que os restaurantes fecham no máximo 10 da noite aqui e isso não é exagero. Óbvio que existem  (poucas) exceções e tem muito McDonalds que funciona 24 horas nas grandes cidades.
Além dos restaurantes fecharem cedo, lojas, farmácias, postos de gasolina e shopping centers também seguem o mesmo princípio. Aquela coisa de sair do trabalho às 17h, 18h ou 19h e dar uma passadinha no shopping pra fazer umas comprinhas é impossível porque tudo fecha às 17h, exceto nas quintas-feiras quando o comércio fica aberto até às 21h.
Nem mesmo nas vésperas do Natal quando o instinto consumista do povo ta mais do que aflorado, não dá pra garantir o presente da família depois das 17h. Ou você vai antes das 17h ou esquece.
A excessão fica por conta dos supermercados que ficam abertos até tarde.


Veja mais Posts

0 comentários