Como virar a própria mesa : coisas que você precisa saber antes de imigrar

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Pipocam no Brasil os casos de pessoas que decidem imigrar pra outro país qualquer pra tentar uma vida diferente, seja ela como intercambista com data de ida e volta, seja a saída definitiva pra se estabelecer em outro lugar e por la sossegar. Seja qual for a razão e baseada na minha própria experiência totalmente empírica, resolvi separar algumas dicas que julgo serem úteis pra quem está pensando em fazer as malas e se aventurar longe do Brasil.

Dica # 1: Quem sou eu? De onde vim? Pra onde vou? E por que vou?
Pegue papel e caneta ou use o bloco de notas do celular mesmo e comece respondendo essas perguntas simples. É um grande exercício de auto conhecimento extremamente vital e útil pro seu plano de imigrar que vai te ajudar a lidar com as dúvidas, as angústias e as dificuldades que vão surgir quando você estiver em terras estrangeiras.
Você é uma pessoa aberta a novas experiências culturais? 
Você está preparado para deixar o conforto do seu lar no Brasil pra ir dividir um apartamento e até mesmo um quarto com outras 2, 3 ou mais pessoas que você nunca viu antes? 
Você é tolerante ao frio? E ao calor? 
Você encara desafios numa boa? 
Você está disposto a aprender outros ofícios? Encara virar massa, assentar tijolo, limpar privada, servir mesas, dirigir caminhão, entregar pizza, lavar pilhas de louças pra poder sobreviver? 
Você é uma pessoa de fácil convivência e consegue se adaptar rapidamente a novos ambientes? 
Você sabe falar outra língua? Está disposto a aprender?
Depois de definir essas respostas, passe para a pergunta seguinte: pra onde ir. Se você não gosta de frio, já sabe que o Canadá, por exemplo, não é uma boa opção. Se não gosta de calor, talvez a Austrália não seja o melhor destino, embora o inverno em algumas regiões do país seja bem rigoroso. Além do clima, é importante também avaliar os seguintes aspectos antes de escolher o país onde morar:
Situação econômica/mercado de trabalho/custo de vida: o país está em crise ou é um país próspero e em desenvolvimento?
Qual é a moeda local e qual é a sua taxa de câmbio em relação ao Real?
Há oportunidades de trabalho? Em que área?
Quais são as profissões de maior demanda nesse lugar? E qual o salário médio delas?
Qual é o salário mínimo?
Qual o montante que se paga de impostos?
Quanto custa em média o transporte público e alimentação básica?
Quanto se paga em média de aluguel por semana ou por mês?

Sistema de imigração:
Que tipo de visto preciso ter se quiser ir morar e trabalhar nesse país?
Como faço para obter esse visto?
Na condição de imigrante, terei acesso ao sistema público de saúde? Se não, qual o custo de um plano privado?
Faça uma extensa pesquisa sobre o país pra onde você quer ir pra ter o máximo de subsídios pra tirar o plano do papel sem traumas depois. Converse com pessoas que já moram ou que moraram lá, participe de grupos no Facebook, leia blogs de expatriados, faça uma consulta no Google e por fim, contrate uma boa agência de intercâmbio pra te ajudar com tudo. Desde a compra das passagens aéreas até a solicitação do visto, compra de seguro de saúde e outras burocracias que normalmente são exigidas. Por experiência própria, recomendo que você escolha uma agência pequena e que tenha uma base de apoio na cidade onde você vai morar no outro país porque você certamente vai precisar de um suporte personalizado quando chegar ao destino escolhido pra abrir conta no banco, criar o seu CPF, contratar um plano de telefone celular, procurar emprego e mais do que isso, você vai precisar de um suporte psicológico nos primeiros meses. Isso você certamente não vai ter se contratar os serviços de uma agência de intercâmbio gigante que atende você e mais 1.000 outros intercambistas.

Depois disso tudo respondido e definido, é chegada a hora de responder a mais importante das perguntas e que irá servir como bússola nos momentos de tensão overseas: por que estou indo?
Tenha de forma clara e objetiva pra você os motivos pelos quais está saindo do Brasil, deixando sua vida confortável e segura no seu habitat natural pra se jogar rumo ao desconhecido. 
Você ta indo embora por causa da crise que atinge o país? 
Ta fazendo as malas e vendendo tudo porque brigou com o namorado (a) e quer esquecer o amor no outro canto do mundo? 
Essa mudança é uma busca por auto conhecimento? 
Está indo apenas para aprender um novo idioma, pra fazer dinheiro e depois viajar o mundo? O que você espera dessa virada que vai dar na própria vida? 
Quais são os seus objetivos ao imigrar? 
Quais são as suas expectativas em relação a isso? 
Está indo pra passar um período (6 meses, 1 ano, 2 anos) ou não tem intenção alguma de voltar?
Essas questões precisam ser muito bem pensadas e sedimentadas dentro de você porque é a resposta que vai te dar o norte, que vai ditar o ritmo e principalmente, a estratégia do seu plano de imigração. Por exemplo: se você tem muito claro que não quer voltar pro Brasil, você precisa arrumar um visto permanente e até mesmo uma cidadania no novo país. E isso normalmente você consegue através do trabalho. Logo, você precisa focar os seus esforços em encontrar uma posição que te ofereça um visto desse tipo e por isso ser babá, cleaner ou manicure aumentam as suas chances de fazer dinheiro, mas não vão te dar a menor chance de virar residente. Agora, se você está indo apenas com a intenção de trabalhar feito doido pra juntar grana suficiente pra rodar o planeta de mochila nas costas, então a sua estratégia e a sua busca por emprego devem focar nisso.

Dica #2: aviãozinho de papel ou como fazer seu plano decolar
Primeiramente, estabeleça uma data para realizar a mudança considerando a sua situação atual. Se está empregado, verifique qual é o melhor momento pra pedir demissão levando em conta seu tempo de empresa, pagamento de bônus e outras burocracias. Converse com seu superior e deixe claro o seu plano de imigrar, assim talvez surja a oportunidade de um acordo pra você ser demitido e poder ter acesso ao seu fundo de garantia ou até mesmo um plano de demissão voluntária que muitas companhias oferecem de tempo em tempo.
Sabendo pra onde vai e como vai em relação ao visto que vai ter, é hora de levantar os custos dessa empreitada. Primeiro avalie a sua situação financeira pra saber quanto você está disposto a investir e quanto a mais vai precisar caso não tenha todo o dinheiro necessário. De largada considere os seguintes custos:
Passagens aéreas
Aplicação de visto
Seguro obrigatório de saúde que a grande maioria dos países exige
Se for estudar, escolha o curso e verifique quanto terá que pagar de matrícula e depois de mensalidade
Moradia - tente calcular o quanto você vai gastar com isso nos primeiros 45 dias (mais ou menos o tempo que pode levar até você começar a gerar receita no país pra onde vai)
Transporte - ídem acima
Alimentação - mesmo caso de moradia e transporte
Tendo uma estimativa média em relação a esses custos todos, você poderá ter uma ideia de quanto terá que despender pra poder imigrar. Avalie, na sequência, se você ja tem esse montante ou se vai precisar de uma grana extra pra poder cobrir essas despesas todas. E aí é chegada a hora de se virar nos 30 pra poder juntar dinheiro:
Você vai vender tudo o que tem (casa, carro, roupas, objetos pessoais)?
Você consegue fazer algum trabalho extra pra levantar esse dinheiro?
Vai pedir emprestado pra algum familiar ou amigo? Se for este o caso, considere que você terá que devolver esse dinheiro em algum momento.
Vai pedir um empréstimo no banco? Ídem acima,embora essa seja uma alternativa não recomendável.
Eu fiquei mais de 1 ano me planejando e juntando dinheiro pra vir morar na Austrália. Cortei todas as despesas supérfluas que tinha, vendi muitas roupas, sapatos e outros objetos pessoais, vendi meu carro e por mais ou menos 3 meses fiz bolo do chocolate pra vender e levantar mais dinheiro. Paguei todas as despesas de passagens, curso, visto e seguro saúde ainda no Brasil 4 meses antes de vir e cheguei aqui com quase 12 mil dólares australianos no bolso. E pra quem puder eu recomendo que não saia do Brasil com menos de U$ 5.000,00. É importante ter uma quantia boa de dinheiro pra chegada num outro país porque nem sempre é fácil achar emprego logo e as despesas aparecem bem rapidinho.


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1 comentários

  1. Olá Menina de ar. Suas dicas são muito válidas. Li e lhe confesso que fiquei com mais dúvidas ainda, o que eu acredito que seja uma coisa boa! Percebi o quanto eu tenho que me organizar! O quanto eu tenho para planejar! E o quanto eu tenho que me conhecer, busca incessante.
    Bem, ler suas postagens foi sensacional!!!! Obrigada. Abraços. Adriana.

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