Virando a Própria Mesa - parte 18: E depois

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No dia 25 de agosto que será a próxima terça-feira, completo 4 meses de Austrália. É pouco, mas é muito. Esse é o maior tempo que já passei longe do Brasil, dos meus pais, da minha irmã, do resto da minha família e dos meus amigos. É pouco tempo, mas ainda assim é muito. Experiencei coisas incríveis nesses 120 dias por aqui; fiz amigos, chorei, dei risada, melhorei o nível do meu inglês, conheci gente, revi pessoas que já conhecia antes, revisitei lugares por onde já tinha passado, fui a lugares diferentes. Apesar do pouco tempo, parece que faz anos que deixei Porto Alegre com lágrimas nos olhos e muita esperança no coração naquela manhã chuvosa do dia 20 de abril.

No mesmo dia 25 de agosto, meu visto acaba. Vim pra cá com um visto de estudante pra fazer um curso de 3 meses e a imigração me concedeu 1 mês extra pra ficar por aqui “em férias”. Nunca planejei vir pra cá pra ficar por um curto período de tempo, mas achei melhor não aplicar logo de cara pra um visto de longa duração. Apesar de ter estado por aqui antes, de já conhecer o país e saber como as coisas funcionam, ainda assim preferi optar por um curso curto pra usar esse tempo como um teste. E o teste terminou, minha adaptação foi satisfatória, meu rendimento foi ótimo e eu decidi que é aqui que quero ficar pelo menos nos próximos 2 anos. Essa semana me matriculei num curso que vai durar 24 meses e que acho que vai revolucionar minha vida e apliquei pra um novo visto de 26 meses. Meu processo está no escritório da imigração australiana aguardando aprovação. Mas hoje comecei a pensar “e se negarem o meu pedido de visto?”

Visto. Ta aí uma palavra que eu conhecia de passagem quando morava no meu próprio país, mas que senti a força assim que botei os pés aqui. Imigrante e estrangeiro unem-se a ela na lista de termos que tem outro significado quando estamos na nossa pátria, mas que acabam nos qualificando quando estamos em outro território e ganham um outro peso na nossa vida. Por vezes é possível sentir um certo preconceito por não ser nativa e essa é uma coisa com a qual nunca imaginei ter que lidar. Enquanto no Brasil as coisas giravam em torno do trivial do dia-a-dia de quem nasce e mora por la, por aqui tudo gira em torno do visto pra quem é de fora e tem planos de fincar raízes. Não vai dar pra estudar pelo resto da eternidade e infelizmente, minha profissão não está em demanda no mercado pra que eu possa pedir um visto de trabalho. E então, como vai ser? Existem 3 possibilidades e cada uma delas traz consigo preconceitos e riscos:

Sponsor: a alternativa mais comum pra quem está na Austrália. Pra ser sponsorado, é preciso primeiro arrumar um emprego full time numa empresa que possa oferecer esse recurso pro funcionário, já que isso implica num processo lento e bem burocrático. Não é impossível, mas requer tempo. Só de sponsor são pelo menos 2 anos até que o visto de residente permanente possa ser requerido, mas há todo o caminho a ser percorrido anteriormente. E há o risco de ser abusado pela empresa enquanto se está sponsorado. É preciso ter sangue frio e foco total no objetivo de permanecer por aqui.

Casar com um nativo ou com um residente permanente: na minha opinião, é o mais difícil de todos porque implica em interesse. É como casar com um milionário. Até que se prove pro nativo que se está casando por amor e não pelo passaporte, há muito chão pela frente. Todo cuidado na hora de se envolver emocionalmente com um australiano é pouco e já teve um cara que conheci que me perguntou na cara dura se eu tava saindo com ele porque tinha interesse no visto que ele poderia me dar caso a relação fosse pra frente. Entende agora por que eu falei em preconceito ali em cima? Ah! E depois de provar pro australiano que você de fato sente amor por ele, é preciso provar esse amor pro governo. 

Auto sponsor: até pouco tempo atrás, era uma alternativa pouco conhecida e inviável por conta do alto custo financeiro. É uma opção burocrática que demanda alto investimento não só de dinheiro, mas de tempo e de suor. Nesse tipo de visto, é preciso ter uma empresa real que seja rentável aos olhos do governo e todo mundo aqui sabe muito bem como é difícil erguer um negócio do chão e fazê-lo próspero, especialmente num país onde tudo custa um absurdo de caro.

Eu to aqui há apenas 4 meses e muita gente diz que é pouco tempo pra que eu comece a pensar (e a surtar) em como irei fazer pra conseguir um visto de residente. Seja lá como for, sei que vou tentar fazer do jeito mais independente possível e se for esse o meu destino, eu vou conseguir.







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