Virando a Própria Mesa – parte 13: Pois bem, cheguei

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Aqui estou eu, escrevendo esse post diretamente de Manly Vale, o bairro onde moro ao norte de Sydney. Cheguei na cidade no sábado pela manhã (sexta a noite no Brasil), exatamente quando a Austrália celebrava o feriado de Anzac Day e a celebração pelo 100º aniversário da batalha deaustralianos e neozeolandezes contra a Turquia, onde o ínfimo exército da Oceania foi fuzilado pelos turcos. Sydney tinha as bandeiras australianas a meio mastro e muita gente na rua celebrando e rendendo homenagens aos bravos guerreiros que morreram pela pátria no passado. Depois de uma semana onde tempestades nunca antes vistas causaram inúmeros estragos pela cidade, o sábado amanheceu com um céu azul limpo e um sol que me fez lembrar os dias de verão em que estive por aqui a 1 ano atrás. Me senti uma pessoa de sorte por ter sido recebida no país que escolhi pra viver num dia tão especial para os nativos.

Tão logo cheguei por aqui, fui com o meu irmão a uma cafeteria numa das praias do norte onde moramos e onde um amigo meu trabalha. Eu não tinha nem 2 horas de Austrália e já havia sido convidada pra fazer um teste como garçonete no tal café, onde me apresentei ontem pela manhã. Foi legal, diferente de tudo o que eu já havia feito na vida anteriormente e a ida até lá foi uma pequena aventura. Até ontem a tarde, eu não tinha um número de telefone australiano e a internet no meu celular só pegava quando estava na rede wifi de casa. E tive que ir até uma outra praia aqui perto sem mapa, sem GPS, sem nenhum meio de comunicação com meu irmão ou minha cunhada caso acontecesse alguma coisa. Não sei se é algum trauma de infância ou de vidas passadas, mas sempre tive medo de me perder e ontem consegui me livrar desse sentimento. Peguei um ônibus da esquina de casa sem saber onde deveria descer e muito menos pra que lado caminhar. Mas me deixei levar e fui simplesmente apreciando a paisagem, olhando o mar calmo e o céu azul.

Ainda não tenho um trabalho e mal comecei a procurar porque ainda preciso fazer algumas burocracias antes, então tenho me sentido num limbo. Porque não estou de férias, não vim pra cá a passeio, e ao mesmo tempo ainda não deu pra criar uma rotina. Ok, eu sei que só fazem 3 dias que estou aqui e que é necessário ter paciência e que em breve a vida vai tomar um rumo, especialmente quando as minhas aulas começarem na próxima semana. Então estou tentando relaxar e não me auto pressionar a arranjar um trabalho logo. Mas confesso que é bem estranho.

Não vou transformar o blog num diário e nem num site que tem por objetivo contar como é a vida e como são as coisas aqui na Austrália, mas quero dividir algumas impressões que tive com vocês nesses meus primeiros dias do outro lado do mundo:

- Ta frio aqui, bem mais do que no Rio Grande do Sul de onde saí. Uma diferença de 10 graus na temperatura, o que já me obrigou a usar cachecol, um blusãosinho e botas. Mas os australianos parece que não sentem frio e é muito comum ver o pessoal na rua usando Havaianas, shorts e casacos bem leves. É muito comum também vê-los andando de pés descalços na rua e no sábado uma mulher fazia compras no supermercado usando jeans, um trench coat e nada nos pés.

- O melhor daqui é poder andar na rua de dia ou de noite, sozinha, sem nenhum medo de ser assaltada, roubada ou violentada. Isso é incrível e indescritível pra quem mora no Brasil e vive em constante tensão e estado de alerta, especialmente em relação aos seus pertences.

- O dia aqui começa e acaba muito cedo e é muito comum ver as pessoas malhando ou indo trabalhar às 6h da manhã e indo pra cama às 21h.

- Os supermercados nunca estão cheios e isso é um verdadeiro paraíso. Poder fazer compras com tranquilidade numa segunda-feira final de tarde sem ficar na fila do caixa esperando horas, é um prazer supremo.

Em breve voltarei com a programação normal deste blog :-) 



Essa mensagem estava dentro de um biscoito da sorte chinês que comprei num restaurante 24 horas depois que cheguei aqui. Espero mesmo que tudo o que eu viver aqui valha a pena.

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