Histórias de Amores Fantásticos: O Caso da Rua Buenos Aires

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Quem aqui nunca ouviu algum relato de uma história de amor daquelas que parecem ter saído de um roteiro de Hollywood? Histórias de encontros casuais, de situações esquisitas e improváveis, mas que mesmo assim acabaram virando um caso de amor. Eu, particularmente, gosto demais de saber que essas coisas acontecem sim na vida real e meu lado romântico de mulherzinha se enche de esperança pensando que um dia, quem sabe, uma dessas histórias pode ser a minha.

Então inauguro hoje aqui no blog uma sessão pra contar essas histórias que escuto por aí. Serão sempre casos verídicos de amores que nasceram porque assim quis o destino. Com vocês então, a primeira história de amor fantástica: o caso da rua Buenos Aires.



Lúcia* trabalhou comigo numa agência de propaganda a um tempo atrás. É uma menina meiga, querida, linda, inteligente, dessas boas de se ter do lado. Seu então namorado na época também trabalhava lá e quando eles decidiram comprar um apartamento e ir morar juntos, fui inclusive convidada pro chá de casa nova.

Eu saí da agência, a Lúcia também pediu as contas e perdi o contato com ela. Um tempo depois fiquei sabendo através de uma amiga que temos em comum, que a Lúcia havia se separado e que estava sofrendo bastante com isso. Lamentei, afinal, ela sempre foi um amor de pessoa  e eles pareciam se gostar bastante. Acabamos nos reaproximando através das redes sociais e assim como eu, a Lúcia também escreve um blog da qual eu sou fã. E claro, ela ficou sabendo que em breve estarei de mudança pra Austrália e me mandou uma mensagem convidando pra almoçar.

Nos encontramos numa sexta-feira do final de janeiro e começamos a conversar. Falei da minha vida, dos preparativos pra mudança e foi então que a Lúcia começou a me contar a sua história de amor fantástico. Ouvi atentamente porque adoro saber que acasos do tipo hollywoodianos acontecem na vida de simples mortais e fico pensando se um dia acontecerá na minha também. O caso é o seguinte: Lúcia se separou e ficou sozinha no apartamento que havia comprado com o namorado. Sofreu, comeu o pão que o diabo amassou, passou dias e noites chorando e emagreceu muito. Então decidiu que deveria vender o tal apartamento, não ia suportar ficar num lugar com tantas lembranças de dias felizes. Anunciou num dia e inacreditavelmente vendeu no outro. Acordou com os novos proprietários que ficaria ali por mais 30 dias, até que encontrasse um lugar pra morar. E começou a sua busca por um novo lar.

Percorreu anúncios de jornal e da internet, visitou diversos imóveis que ou eram ótimos e caros, ou eram baratos e horrorosos. O tempo ia passando, o prazo pra deixar seu apartamento ia se aproximando e Lúcia não encontrava onde morar. Ja cogitava voltar temporariamente pra casa dos pais, algo que não queria. Até que numa manhã ensolarada de sábado, uma semana antes de ter que entregar o seu imóvel pros novos donos, saiu pela cidade no que seria a sua última tentativa de achar um canto pra viver. Passou por um bairro que jamais havia considerado e coincidentemente, dirigiu por uma rua chamada Buenos Aires. Aqui peço licença pra abrir um parênteses e fazer um adendo importante: Lúcia adora a cidade de Buenos Aires, a charmosa capital argentina, e com bastante frequência viaja pra lá. Sonhava em viver por aquelas bandas. Mas jamais imaginou que moraria em Buenos Aires sem ter que sair de Porto Alegre.

Na rua Buenos Aires havia um prédio recém construído e com alguns apartamentos para alugar. Lucia quase nem acreditou em tamanha coincidência: achou o seu lugarzinho pra recomeçar a vida na rua que leva o nome da cidade que ela mais ama no mundo. Era bom demais pra ser verdade. Encaixotou suas poucas coisas e programou a mudança. Colocou tudo o que tinha no banco traseiro do Ford Ka e fez 4 ou 5 viagens até sua nova casa. Chegando na garagem do prédio pra descarregar tudo, encontrou com um vizinho e de cara pensou: hummm.... que gatinho. O moço logo foi se apresentando:
- Oi! Meu nome é Fernando* e acabei de me mudar.
- Prazer. Meu nome é Lúcia e também to me mudando.
- Legal, Lucia. Se precisar de alguma coisa, pode bater la no meu apê. É o 502.
- Obrigada, Fernando. Se precisar de alguma coisa também pode bater no meu apartamento. É o 301.
- Ta bom. Boa sorte.

E assim começou a história de amor da Lúcia e do Fernando, entre caixas de papelão, no meio da baderna das suas mudanças, mas não por acaso. Se encontraram algumas vezes no elevador, engataram alguns bate papos, até que Fernando a convidou pra sair e entre uma cerveja e outra, o primeiro beijo aconteceu. Ele era exatamente aquilo que ela sonhava para um futuro namorado: um artista, uma mente aberta, parceiro, descolado, carinhoso. Era formado em artes plásticas e trabalhava com cerâmica. Pouco tempo depois, fizeram uma viagem juntos para a Itália onde ele gostaria de estudar. Na volta, Lúcia providenciou a mudança pro apartamento do vizinho que agora era seu namorado. Tudo muito rápido como costumam ser as histórias de amores fantásticos.

Hoje recebi uma mensagem da Lúcia contando que o Fernando foi aceito para o mestrado na universidade lá da Itália que ele tanto queria. Lá vem outra mudança na vida deles, só que dessa vez, pro exterior. E vão levar junto esse amor que aconteceu no meio de tantos acasos e tantas coincidências.

*Os nomes dos protagonistas dessa história foram trocados pra preservar a identidade deles.






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