Virando a Própria Mesa – parte 8: A vida sentimental da mulher que vai embora

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"...Espera, e o nosso caso? O que é que eu faço?

Tá legal, tá legal, que seja

Mas cala a boca e me beija..."

(Cala a Boca e Me Beija - Karla Sabah)


Quando comecei a contar pras pessoas que iria morar fora do país, muitas delas (especialmente as do sexo feminino) me diziam que eu poderia me apaixonar perdidamente por alguém aqui no Brasil e mudar completamente de ideia e que esse tipo de coisa acontece justamente quando estamos distraídas.

Acontece que nunca estive distraída e sempre soube o que queria. E cá estou há 95 dias de embarcar, com passagens compradas, visto aplicado, todas as outras burocracias necessárias e nenhuma paixão em solo nacional que tenha me feito desistir do meu plano.  Porém, nesse tempo todo que antecede os pormenores da mudança, conheci sim muitos caras, mas não me permiti me apaixonar por nenhum deles. Alguns eu sabia que eram os errados, o tipo de homem que eu jamais me relacionaria nem por uma noite se não estivesse nessa circunstância. Outros, nem tanto. Poderia ter investido em alguns, poderia ter vivido um romance cujo prazo de validade acabará em 20 de abril de 2015, mas pra que? Pra deixar alguém sofrendo aqui e pra atravessar o mundo carregando dores além de malas? Melhor não.

Fiz então valer literalmente aquele ditado cretino que diz que enquanto a gente não acha a pessoa certa, se diverte com as erradas. E me diverti muito, me diverti mesmo. Nunca enganei nenhum dos caras que estiveram comigo com promessas infundadas e sempre dizia que estava indo embora. Avisava de antemão que eu não iria me apaixonar e que não queria nenhum tipo de relacionamento mais sério. Por muitas vezes me senti usando o diálogo dos personagens masculinos porque essa fala é invariavelmente sempre deles, nós é que costumamos ficar no vácuo com nossos coraçõezinhos partidos esperando pelo desenrolar de uma história que ja nasce morta, a gente é que não entende.

Chamo essa fase da minha vida de despedida de solteira porque é assim que eu sinto e vivo com total intensidade. Encaro esse momento como uma preparação, uma espécie de laboratório pro que eu acho (e espero) que virá logo a seguir quando eu encontrar a pessoa certa com quem vou sossegar. Alguns dizem que eu ja passei do ponto pra isso, que deveria ter aprontado das minhas com 20 e poucos e não com 30 e tantos. Discordo. Estou aprontando no momento certo pra mim, que é bem diferente do momento certo pro resto.

Com o perdão do trocadilho infame mas totalmente necessário e apropriado, a vida sentimental da mulher que vai embora é cheia de altos, baixos, loiros, morenos, na sua maioria vagando pela casa dos 29 anos. É uma vida interessante onde não há espaço pro tédio e pro baixo astral, só pra alegria e diversão. Nem sempre é fácil de administrar sentimentos, nem sempre é simples colocar-lhes um freio. E quando o coração resolve descompassar por alguém, eu lembro do meu plano maior e volto o foco pra minha contagem regressiva: faltam 95 dias pra eu ir embora.

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