Virando a própria mesa – Parte 4: Garota eu vou pra...

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“Atreva-se a seguir uma nova trilha. 
Atreva-se a destacar-se e encontrar um novo solo”
(Sociedade dos Poetas Mortos)

Não há lugar no mundo que me faça mais feliz do que a praia. Talvez porque eu seja nativa do signo de aquário, talvez porque tenha crescido correndo pelas areias do Cassino e murchando na água do mar, talvez porque desde sempre goste da sensação de liberdade que só no litoral consigo ter. E por isso, sempre achei impossível ser infeliz com vista pro mar. Na minha opinião, todo carioca deveria ser absurdamente feliz pelo simples fato de poder ir pro trabalho diariamente olhando praquela imensidão azul que termina lá no horizonte, onde a Terra parece que acaba. Ou porque pode encerrar o expediente, afrouxar o nó da gravata, tirar os sapatos e caminhar tranquilamente pela areia úmida ouvindo o som que vem do oceano. Não há nada mais relaxante e reconfortante do que isso pra mim. O vai e vem do mar apaga qualquer tristeza e mostra que a vida é uma constante, nunca uma coisa estática e sem solução. Não há problema que não se resolva quando se reflete sobre ele na beira da praia, olhando as ondas quebrarem na areia.

Por isso incialmente cogitei a ideia de ir morar no Rio porque além da praia, ainda existe a cidade enorme e eu também gosto de cidade. Tentei encontrar um emprego por lá, enviei meu currículo pra várias empresas, mas como todo mundo sabe, é quase impossível viver no Rio de Janeiro sem ser funcionário público. E prestar concurso pra ser subordinada do governo não faz parte dos meus planos e acho que não vale o sacrifício. Além disso, mais do que morar na beira da praia eu gostaria de ter uma experiência de vida em outro país, então o Rio (ou qualquer outro lugar do litoral brasileiro) foi logo descartado.

Há 7 anos meu irmão resolveu ir morar em Sydney, na Austrália, movido pelo amor ao mar e em busca de uma qualidade de vida que aqui no Brasil ele dificilmente teria. Em janeiro deste ano finalmente cruzei o planeta pra ir até lá visitá-lo e conhecer o lugar que ele tanto gosta e que escolheu pra viver. Muito antes de embarcar, várias pessoas que me conhecem e que ja estiveram lá, me disseram a mesma coisa: “tu vai ir e não vai querer voltar. Sydney é o lugar perfeito pra ti, é a tua cara”. Duvidava um pouco disso. Talvez por causa do jet leg, talvez por conta da longa jornada pra chegar até lá, talvez pelo cansaço de um ano inteiro de trabalho e fortes emoções no apagar das luzes,  confesso que tão logo botei os pés fora do aeroporto e enxerguei a cidade pela primeira vez, pensei: não moraria aqui. Mas minha opinião mudou 24 horas depois quando acordei ao som de pássaros que nunca tinha ouvido cantar antes na vida e quando finalmente, numa manhã linda de sol do último dia do ano, saí pra conhecer um pedacinho da praia onde meu irmão mora. Sydney de fato é o meu lugar no mundo e vivi um caso de amor tórrido com ela nos 30 dias que andei por lá.

A cidade de 4.5 milhões de habitantes tem praias absurdamente lindas e limpas e ao mesmo tempo oferece tudo o que uma grande cidade tem: bons restaurantes, lojas legais, arquitetura moderna, sistema de transporte público digno e muita segurança, algo que anda bastante em falta aqui no Brasil. O 3G funciona o tempo inteiro e em todos os lugares; as pessoas se respeitam e o clima é bom mesmo no inverno. Junto com Melbourne é um dos melhores lugares pra se viver nomundo e a qualidade de vida lá é um sonho pra nós, brasileiros. E quanto mais eu andava pela cidade, mais eu me apaixonava e mais convicta ficava de que era pra lá que eu deveria ir nos próximos meses com apenas a passagem de ida. Por isso, ainda em solo australiano, fui até uma agência de imigração pra saber o que eu precisava fazer pra me transferir de mala e cuia pra Sydney. Com as informações na mão, voltei pro Brasil e comecei a arquitetar o plano que vocês ja conhecem.

A Austrália é longe de tudo, eu sei. Custa caro demais ir até lá e não vale a pena a viagem longa pra passar apenas 2 ou 3 semanas. O fuso horário em relação ao Brasil é de 13 horas. O custo de vida é muito alto. Mas a expectativa de poder recomeçar uma vida com tudo diferente e de frente praquele mar é o que me anima e não me faz desistir.


Então, garota, eu vou pra Austrália. 





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