Virando a própria mesa - parte 3: A caverna do dragão

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Quem aqui foi criança na década de 80 deve facilmente lembrar de um desenho animado que passava na TV e era sucesso na época chamado A Caverna do Dragão. Nele, 6 jovens tentavam voltar ao seu mundo após chegarem a um reino misterioso tragados durante um passeio de montanha russa num parque de diversões. Em vários episódios da série eles chegavam ao portal que os levaria de volta pra casa, porém, por conta de algum obstáculo, nunca conseguiam transpor aquela fronteira e acabavam presos ali. Muito frequentemente me sinto como os personagens desse desenho e tenho medo de ficar presa na Caverna do Dragão. Ou seja, receio que alguma coisa aconteça e me impeça de concretizar meu plano de ir viver em outro lugar.

Quando decidi ir mesmo embora, elenquei aquilo que poderia me fazer desistir de tudo e ficar aqui no Brasil. A única coisa que me faria mudar de ideia e esquecer tudo isso seria uma doença grave minha ou de alguém da minha família – meus pais ou meus irmãos. Somente isso me faria ficar, nada mais. Sou solteira, relativamente jovem, não tenho filhos, dívidas ou uma carreira em ascensão que me prenda no país, logo, não vou deixar nada arriscável pra trás em nome dessa experiência. Mas abandonaria o sonho caso alguma coisa ruim acontecesse com minha família.

Por isso, diversas vezes me pego enlouquecendo com medo de que uma tragédia aconteça justamente agora. Sei que pode soar muito egoísta da minha parte, mas garanto que não é. Óbvio que sempre me preocupei muito com a saúde dos meus pais, mas agora me preocupo mais ainda. Graças a Deus eles são muito saudáveis, jovens e tem uma rotina super ativa, mas a vida é impermanente e muda a todo instante. Ainda me restam 8 meses pela frente e nesse tempo todo muita coisa pode acontecer para o bem e para o mal.

Muita gente costuma me dizer que eu poderia mudar de ideia também se me apaixonasse perdidamente por alguém aqui no Brasil, mas isso não vai acontecer. Meu coração não ta aberto porque decidi focar toda a minha energia na meta que estabeleci pra mim. Ainda assim se acontecesse, uma paixão não seria suficiente pra me fazer desistir de viver uma outra vida em outro lugar do planeta. O meu sonho é maior do que um amor e nem isso me faria ficar por aqui.

Nunca me senti tão decidida, focada e confiante numa coisa. Meu ano inteiro tem sido dedicado a por em prática esse sonho antigo e por isso mesmo a ansiedade pra que chegue logo o dia do embarque e o medo de ficar na Caverna do Dragão tomam conta de mim de vez em quando. Talvez essa seja uma das partes mais difíceis disso tudo: lidar com esses sentimentos, tentar controlar o que não tem controle, lutar com a minha própria mente pra que ela se aquiete e pare de pensar bobagem. Não tenho receio nenhum de chegar lá e enfrentar uma realidade totalmente diferente da que estou acostumada, mas me borro de medo de não conseguir sair daqui.

Pensei muitas vezes se deveria ou não compartilhar toda essa experiência e esse sonho assim, tão abertamente na rede mundial de computadores. Há quem diga que essas coisas a gente deve manter em segredo, em silêncio, que é pra não atrair nenhum olho gordo que possa estragar tudo. Mas sinceramente, não acredito nisso e me considero protegida desses mau agouros. A prova disso é a quantidade de apoio que tenho recebido de gente que eu nem sabia que me lia a cada post que eu publico sobre meu plano. Essa corrente de energia positiva é muito maior e mais forte do que qualquer coisa ruim.

Por isso, se Deus quiser e o diabo não atrapalhar, diferentemente dos personagens do desenho, vou sim conseguir transpor o portal e sair da minha própria caverna do dragão. E que cada um de vocês possa me servir de luz pra isso.


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