Virando a própria mesa – parte 2: O plano de fuga

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Quando eu decidi que iria mesmo morar fora do Brasil, comecei a me organizar e coloquei todo o plano no papel: por que eu vou, pra onde eu vou, como eu vou, quando eu vou, que riscos vou assumir. Descrevi todas as etapas, esmiucei todos os detalhes, fiz todos os cálculos. Eu teria 14 meses pela frente e montei um cronograma, desses que a gente ta acostumado a montar em Excel no trabalho, sabe? Nunca antes na história da minha vida eu havia feito algo semelhante e assumo aqui que me orgulhei de mim mesma por ter, enfim, dado esse passo que sempre considerei importante mas nunca consegui dar. Defini datas, estabeleci metas pessoais e financeiras e comecei a execução pouco a pouco, afinal, naquele momento ainda faltava mais de 1 ano.

A primeira coisa que pensei logo no começo do planejamento foi: o que eu posso fazer aqui e agora que, de alguma forma, vai me ajudar lá no futuro? Precisava praticar muito meu inglês e ainda me preparar pra uma prova de proficiência. A melhor, mais barata e mais divertida forma que achei de falar outra língua foi recebendo estrangeiros na minha casa e por isso me cadastrei como hostess no programa de Couchsurfing. Uma semana depois, já tinha meu primeiro guest. Hoje, passados 6 meses, ja contabilizo 10 hóspedes que viraram grandes amigos. Mais do que inglês, aprendi muito sobre outras culturas e sobre a vida. Me matriculei também num curso específico que prepara pra prova que fiz neste sábado.  Mas a ajuda mais especial veio de uma grande amiga e colega de trabalho, à quem dou carona todos os dias pro escritório. Como ela fala inglês absurdamente bem ja que morou anos nos Estados Unidos, topou ser minha English teacher móvel e vamos conversando nesse idioma diariamente.

Além da língua, achei que ter uma experiência diferente e extracurricular aqui seria importante quando precisasse procurar trabalho lá. E por isso resolvi me candidatar no programa de voluntários do Ministério do Esporte pra atuar na Copa do Mundo. Colocar no currículo que trabalhou como voluntária no maior evento esportivo do mundo deve contar algum ponto, né? Foi uma das melhores coisas que fiz na vida e valeu cada segundo, cada banho de chuva, cada manhã de sábado em treinamento. Muito mais do que experiência em evento de grande porte, ganhei amigos e experiência de vida.

Também virei faxineira da minha própria casa, ja que lá do outro lado do planeta ter alguém pra limpar meu banheiro, arrumar a minha cama e lavar as minhas janelas será impossível. Meus finais de semana desde fevereiro são dedicados à limpeza do meu apartamento e digo pra vocês que não dói nada e nem cansa tanto assim. Transformei a faxina em terapia e tem sido bem bom. E se tiver que encarar um trabalho de cleaner pra sobreviver, ja estarei mais do que preparada pro desafio. 

Agora que faltam 8 meses pra partida, outras etapas do plano começarão a sair do papel: me desfazer de um monte de coisas, vender o carro, pedir demissão do emprego, me despedir de todo mundo. E à medida que o tempo vai passando e a distância até a data do embarque vai diminuindo, o frio na barriga vai gradativamente aumentando. Será que eu to fazendo a coisa certa? Será que eu vou sobreviver longe de todos e de tudo? Será que nada vai dar errado antes da minha ida? E quando eu chegar lá, será que as coisas vão acontecer como eu planejo? Será?

Eu não tenho as respostas pra essas minhas dúvidas todas enquanto estou aqui. Pra respondê-las, preciso ir lá e viver. E é pra isso que to me preparando agora.




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