Virando a própria mesa - parte 1: O início de tudo

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Nessa altura da minha vida, beirando os 38 anos, eu já deveria estar há muito casada e pelo menos com 2 filhos pra criar em casa. Deveria também estar pagando a 59ª prestação do apartamento sem sacada num condomínio clube e aproveitando meus finais de semana pra pesquisar o preço do porcelanato, das torneiras e da cozinha planejada. Deveria estar supostamente feliz no meu trabalho e batalhando uma promoção que fosse acrescentar R$ 1.000,00 no meu salário todo mês e por isso, satisfeita da vida na minha zona de conforto total sem querer abalar esse sistema. Isso é o que a maior parte das pessoas que eu conheço estão fazendo agora. Só que eu decidi seguir o caminho exatamente oposto.

A decisão de pegar outro rumo, de me desgarrar do bando, de fugir da manada e ser a ovelha negra do grupo,  levou cerca de 20 anos pra ser tomada.Nesse tempo todo vivi apegada à medos idiotas, relacionamentos amorosos instáveis, empregos meia boca e bens materiais que nunca fizeram de mim uma pessoa melhor, mais culta, mais evoluída. Sempre senti que tava faltando alguma coisa, mesmo quando aparentemente eu tinha tudo o que a sociedade considera essencial para o pacote da felicidade: um marido, uma casa própria, um carro na garagem, um salário digno, um plano de saúde e o gadget do momento.

Mas eu percebi que esse itens opcionais não são a causa e a consequência de uma vida feliz porque são voláteis e imprevisíveis demais. E sempre tive a sensação de que o mundo é muito grande e interessante pra me fazer viver pra sempre na mesma cidade. Desde criança fui muito encorajada pelos meus pais a sair de casa, passar um tempo fora, me testar em outro lugar. Aos 20 e poucos anos, deixei o interior pra vir pra capital porque achava que Pelotas era pequena demais pra minha loucura e pros meus anseios. E hoje, percebo que Porto Alegre ja não basta pro que quero ver e viver e então, decidi partir daqui. Preciso de mais; quero saber quem sou eu de verdade lá do outro lado do planeta, convivendo com pessoas totalmente diferentes, falando uma outra língua, dirigindo do outro lado da estrada, comendo outro tipo de comida e sentindo aquela saudade que arde no peito por estar bem longe de todo mundo que eu gosto. Não vai ser fácil, eu sei, mas estou totalmente disposta a correr os riscos, a abrir mão de tanta coisa importante que não poderei levar na bagagem, em nome de um sonho muito meu.

Vou chutar o balde, vou botar os dois pés totalmente fora da minha zona de conforto e começar do zero exatamente como fazem os personagens reais de histórias que costumamos admirar e ler por aí; pessoas que deixaram pra trás tudo o que levaram anos pra conquistar pra se aventurar em outra coisa ou em outro lugar na esperança de que o que vem pela frente é muito bom. Se vai dar certo, eu não tenho como saber ainda. Mas pelo menos eu vou ter a coragem de tentar.







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