Amor de microondas

by - 23:43

Discordo de todos os cartazes colados pelas ruas e de todos os JPGs postados em timelines de redes sociais pedindo “mais amor, por favor”. Não acho que o que falte seja amor, mas sim, querer amar. Inclusive já escrevi um conto fictício sobre isso aqui uma vez.

Dia desses durante uma discussão sobre o assunto, teorizei que o que as pessoas querem é um amor do tipo comida congelada em que é só jogar dentro do microondas, colocar na potência máxima por alguns minutos para que uma bela refeição seja levada à mesa logo à seguir. Ninguém quer perder tempo indo atrás dos ingredientes pra preparar uma relação saudável e legal, querem sim é que ela ja comece pronta no amanhecer do dia seguinte aonde tudo começou. Querem arrebatamento, paixão e conexão à primeira vista e acabam desperdiçando diversas possibilidades porque simplesmente não dão tempo suficiente pra que isso aconteça.

É praticamente impossível iniciar uma história com alguém  que você conheceu numa balada. Festas, exceto aquelas que acontecem na casa de alguém pra poucos e selecionados convidados, costumam ser lugares lotados e barulhentos onde o máximo de diálogo que você consegue manter com uma pessoa aos gritos gira em torno do nome, idade e ocupação. É impossível conversar onde uma multidão se espreme pra comprar um copo de cerveja e se pisoteia numa pista de dança. Logo, o máximo de atração que você vai ter por alguém que conhece numa balada é física. E como todo mundo sabe, um amor não se mantém por muito tempo se baseado apenas nos aspectos estéticos. Você pode até dar uma chance e levar essa pessoa pra cama, mas também não vai ser na manhã seguinte que você vai poder dizer se ela é ou não o grande amor da sua vida. Salvo alguns casos raros, isso nunca acontece com simples mortais.

Um amor banquete não se faz assim. É preciso tempo, naturalidade e compatibilidade pra transformar o carinha ou a gatinha que você conheceu na festa no amor da sua vida. Por isso eu acho que de vez em quando vale a pena ligar no dia seguinte quando o efeito do álcool ja abandonou seu corpo e quando você não veste mais o uniforme de guerrilheiro, pra conversar de verdade com quem você trocou beijos na noite anterior. Se dê essa chance de avaliar a pessoa com os olhos limpos e o coração aberto. Lembre-se que o amor não se compra no balcão dos congelados e nem se prepara na velocidade da luz dos fornos de microondas.


Amor de verdade precisa cozinhar em fogo brando, ser temperado de tempo em tempo, ser cuidado pra não passar do ponto. O resto é só fast food.



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