Sound and Miss You

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Acordei nessa manhã de sexta-feira com uma saudade inexplicável de coisas que não vivi. Como pode se sentir falta de algo que nunca aconteceu?

Liguei o rádio da sala na minha estação favorita enquanto preparava o café da manhã e a primeira música que tocou começou a me falar um pouquinho sobre essa saudade estranha de algo que eu não consegui viver. Era uma música do U2 chamada Withthe Ground Beneath Her Feet, um som cuja letra não me diz muita coisa, mas que me teletransporta pra um passado não muito distante onde lá sim, vivi coisas muito boas.  Enchi a caneca de café preto, pus um pão na torradeira e então uma outra música começou a tocar, uma música que não toca nunca nessa estação. Era Driving, na versão acústica da banda Everything But the Girl. De novo a saudade esmagou meu peito porque essa música me traz recordações de um final de semana que embora tenha sido bom demais, acabou com um final triste na mesma medida.

O rádio parece que adivinhou que eu saltei da cama com saudade e seguiu tocando músicas que me remetem direto pra um tempo que foi bom, que foi especial, mas que ficou pra trás por coisas da vida de gente grande. Ouvindo cada uma daquelas músicas lembrei do que vivi e do que nunca aconteceu. As viagens nunca feitas. As fotos nunca tiradas. As mãos entrelaçadas no momento em que o avião toca as rodas no chão. O passeio de kilt nas ruas de Edimburgo. O cheiro da canela no café com leite. A espera. O Amor escondido pela casa. As flores no banheiro. A cidade grande que nunca mais vai ser a mesma. As cartas que jamais vão chegar de novo na caixa de correspondência.

Um nó doloroso se fez na garganta. E o rádio, pra dar o tiro de misericórdia no meu peito ja em frangalhos, tocou Absolute Beginners, do David Bowie.


Desliguei pra não chorar.

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