Defendendo a retaguarda

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Faz pouco tempo que tomei conhecimento do fenômeno humorístico Porta dos Fundos, embora os vídeos postados no Youtube e compartilhados nas redes sociais ja estejam rolando por aí há vários meses. Confesso que tenho uma certa resistência a assistir aquilo que todo mundo assiste, especialmente quando se trata de coisas compartilhadas no Facebook. Nunca vi o tal Psy e seu Gangham Style (é assim que escreve?), por exemplo. Tenho um baita orgulho de não saber quem ele é.

Mas, voltando ao Porta dos Fundos, tive uma feliz surpresa ao conhecer um humor escrachado, atualizado e inteligente e que de fato dá vontade de rir de verdade. Reconheço que alguns vídeos possam ser mais pesados pra quem tem sensibilidade à palavras de baixo calão, mas não encontrei nada que não tenha sido dito antes. E como nesses casos sempre rola uma polêmica, li no jornal que um cidadão entrou com uma ação no Ministério Público solicitando que um determinado vídeo do Porta dos Fundos fosse retirado do ar alegando que ele fere a moral e os bons costumes. Rola é o nome do episódio e acredito que todo mundo saiba do que se trata. Não achei ofensivo o tal vídeo que justifique uma ação judicial solicitando a sua exclusão; Sobre a Mesa é beeeem mais pesado e explícito no quesito baixaria, mas ainda assim é engraçadíssimo.

Li também no Estadão a “defesa” do Fábio Porchat, um dos fundadores do humorístico, rebatendo o argumento do cidadão que acionou a justiça pra censurar o tal vídeo. Me atenho no trecho final do texto:  “A pessoa alega que seus filhos não precisam ver aquilo. Não precisam mesmo. Por isso mesmo que você, pai ou mãe, não vai deixar. Você é o censor do seu filho. Não da sociedade. Fique tranquilo que cada um sabe de si. Então vamos tirar do ar o site da Playboy, vai que seu filho entra lá. Vamos tirar do ar a globo.com que reproduz seus telejornais com as notícias mais escabrosas que aconteceram no mundo. Ou qualquer vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, falando qualquer coisa. Vamos tirar do ar os vídeos do Feliciano pregando em sua igreja, porque isso sim ofende a minha moral e os meus bons costumes. Acho que as pessoas têm de começar a se preocupar e se ofender com coisas mais relevantes. O dia em que todo mundo começar a se sentir ferido com quem prometeu e não despoluiu o Tietê ou com quem superfaturou a Água Espraiada, aí sim eu topo ir no MP. Enquanto isso, divirta-se: www.portadosfundos.com.br

Não pude concordar mais com o que o Fábio Porchat escreveu por diversas razões e gostaria de acrescentar mais uma ao seu discurso: vamos deixar de ser hipócritas, por favor. Quem nesse país nunca disse um palavrão? Quem aqui nunca levou ou deu uma rola na cara entre quatro paredes ou em algum clube de swing? E quem bate palmas e dá audiências astronômicas pras baixarias anuais do Big Brother Brasil, essas sim, veiculadas em TV aberta à luz do dia? Não estão ferindo à moral e os bons costumes da família brasileira também? 

Vamos ser mais honestos e menos hipócritas e moralistas! Nessa nossa sociedade selvagem todo mundo trai todo mundo, todo mundo engana todo mundo, todo mundo come todo mundo, todo mundo fere a moral e os bons costumes de todo mundo o tempo todo. Não existem mais santos nem na igreja, vejam só!  

Enquanto vivermos nessa primitividade, onde o tacape foi substituído por um smart phone de última geração, não temos o direito de querer censurar alguma coisa por ferimento à moral e os bons costumes. Ta mais do que na hora de revermos os nossos conceitos.

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