Quase lá

by - 06:41


Em uma semana ja terei 36 anos e por isso, estarei me aproximando aos poucos dos 40. A distância dos 20 será maior do que a proximidade dos 50 e isso de alguma forma pesa. 

Honestamente não me sinto fisicamente como uma mulher de 36 anos e poderia facilmente dizer que tenho 29 ou 30 anos sem nenhuma margem para questionamentos. Emocionalmente também não me sinto como uma mulher de 36 anos talvez porque com 36 anos a maior parte das mulheres ja acumulem em suas “timelines” uma série de responsabilidades e conquistas que eu ainda não tenho. Marido, filhos, uma carreira promissora e sólida, uma conta bancária saudável e sempre azul, aplicações na bolsa, uma escritura de um imóvel pago com o suor do próprio trabalho na gaveta dos documentos e um carro zero na garagem, não fazem parte da minha vida de mulher de 36 anos e a falta de todos esses itens por um lado talvez me façam sentir mais jovem também.

Porém, essa grande lacuna é o que pesa no fato de estar fazendo 36 anos de vida. Porque com essa idade o que esperavam de mim é que eu ja tivesse ao menos preenchido os quesitos básicos do binômio marido /filhos, afinal, foi pra isso que eu vim ao mundo. E nunca antes na história da minha vida tive tanta vontade de não ter nenhum dos dois. Já que então não cumpri essa parte do acordo, deveria ter dedicado todos os meus esforços para ao menos ter uma carreira profissional sólida e em ascensão e portanto, deveria estar ocupando a cadeira de presidente ou ao menos de diretora supermegablasterfodona de alguma empresa de grande porte. E como tal, deveria estar ganhando um salário de muitos dígitos que me permitiram comprar o imóvel no bairro chique, o carro do ano e usar o que sobrasse pra me vestir feito atriz de novela e investir em ações na bolsa de valores. Honestamente de novo? Nunca me vi na posição daquela que senta na cabeceira da mesa de reuniões e tem a última palavra em tudo. Essa função até pode render muito financeiramente, porém, cobra o seu preço na vida pessoal e nunca estive disposta a pagar.

Bom, então ja que até agora não fui mãe e nem executiva fodona, eu deveria pelo menos ter sido uma aventureira, dessas capazes de não se prender à nada e nem à ninguém, que botam meia dúzia de roupas numa mochila e saem mundo à fora com pouco dinheiro no bolso e muita disposição pro inesperado. Nem isso consegui ser e fazer. Foi mal, desculpa aí, pessoal.

“Mas então, o que foi que tu fez esse tempo todo?”, seria a pergunta que Deus me faria se estivesse batendo um papo reto com ele na véspera do meu aniversário. E eu responderia: vaguei pelo mundo em busca de um único caminho por onde andar. E ao longo dessa andança, me diverti demais. Fiz alguns quantos amigos, tive muitos amores e aprendi a me conhecer um pouquinho com cada um deles. Dancei até sangrar os pés. Bebi muitas vezes até cair. Vi o sol nascer na praia e a lua cheia iluminar a grande cidade. Ganhei uma afilhada que eu amo tanto quanto uma filha. E aprendi que dá pra amar um cachorro branquinho e peludo como se ele fosse uma pessoa. Viajei pra Europa com meus pais. Ajudei quem precisava e fui ajudada quando precisei. Mudei 5 vezes de casa. Casei, separei, casei de novo e separei outra vez. Perdi o medo de viajar de avião. Vi bons filmes, li bons livros, tirei fotos, gritei na rua, comi boas comidas, ri muito, chorei mais ainda.

E daí, depois de tudo, parei e pensei: e não é pra isso que a gente vive?



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1 comentários

  1. Belo texto, bela vida. To emocionada. Acho que vou escrever tb. hahahaha... beijo!

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