50 tons de que mesmo?

by - 11:19


Não li o mais novo best seller do momento 50 Tons de Cinza. Minto, li umas 10 páginas do exemplar da minha prima num feriadão que passei na casa dela. Mas mesmo que não tivesse lido, acho que nem precisaria pra entender do que se trata a obra: uma bela jovem puritana que se rende ao charme e ao instinto sadomasoquista de um belo milionário.

Não li 50 Tons de Cinza e nem os outros dois exemplares da obra, mas li seu genérico entitulado Toda Sua, o primeiro volume de uma também trilogia escrita pela autora Susan Day. O enredo é exatamente o mesmo: uma bela jovem que se rende ao charme e ao forte instinto sexual de um belíssimo milionário, dono de metade de Nova York e 25º na lista dos mais ricos da Forbes. Quer saber o que eu achei? Um tédio.

Em meio à “cenas” de sexo com “palavrões” (como palavrões entenda-se boceta, pau, cu) escritos para tentar apimentar uma relação entre os protagonistas, rolam muitos clichês dos velhos clássicos Sabrina e Julia que minha mãe e minhas tias liam quando eu era criança pequena. O relacionamento entre Gideon e a bela Eva é recheado de melodrama e muita insegurança, além, é óbvio, de alguns traumas de infância pra manter o suspense. Tudo isso num cenário de luxo onde dinheiro não é nem de longe algum problema.

Vem cá, quem é que acha graça nessas historinhas de conto de fadas antigas misturadas com palavras de baixo calão? Pra mim Toda Sua assemelha-se àquelas fábulas infantis que a gente lia quando era criança em que a princesa linda e frágil se apaixona pelo príncipe também lindo e poderoso, passa alguns perrengues pra tê-lo em seus braços e no final acabam felizes no castelo. A diferença aqui são as cenas de sexo, que nas histórias infantis da Bela Adormecida, da Cinderela ou da Branca de Neve, por razões óbvias, não existem. O resto é exatamente igual. Pura fantasia, pura fábula. Ou você tem alguma amiga que se apaixonou perdidamente por um homem lindo, jovem, de pau grande, insaciável e riquíssimo, dono de metade da cidade e ainda foi correspondida? Acho que não, né?

Então, querida leitora, se você quer ler uma obra de putaria no melhor estilo “a vida como ela é”, recomendo que leia obras escritas por autores masculinos porque nelas o melodrama simplesmente não existe e o amor poucas vezes se mistura com a selvageria das noites na alcova, embora também possa haver. Leia, por exemplo, Malu de Bicicleta do Marcelo Rubens Paiva. Ou então, vá atrás de O Rei de Havana, do Pedro Juan Gutérrez ou Fogo nas Entranhas, escrito pelo cineasta Pedro Almódovar.Em todos os livros os homens são reais, do tipo que podem ser facilmente encontrados nos botecos, nas ruas ou até mesmo na mesa ao lado no escritório.

Ou você prefere continuar fantasiando?

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1 comentários

  1. Como diz uma prima minha: "show de horror" esses livrinhos que estão na moda...
    Com tanto livro bom para ler, parece que as pessoas curtem porcarias cada vez mais.

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