Efeitos colaterais de uma segunda-feira chuvosa, úmida e fria

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Pior do que isso, só se essa mesma segunda-feira estivesse acontecendo após a segunda metade do mês, quando o salário há muito ja se foi e a gente passa a sobreviver das moedas que restaram ou entra no vermelho na conta bancária pra poder manter a pose e a dignidade.

Odeio praça de alimentação de shopping center. Quer encontrar gente feia, mal vestida, mal educada e bem bizarra? Então dê uma rápida circulada pela praça de alimentação de um shopping center no horário do almoço num final de semana. Você vai encontrar tudo isso e muito mais: gente que segura os talheres da mesma forma que os neandertais seguravam seus tacapes quando iam abater algum animal selvagem. Gente que palita os dentes. Gente que come de boca aberta. Gente que arrota em público. Antes uma lasanha congelada, uma comida requentada do que uma refeição numa praça de alimentação.

Odeio buffet de balança, buffet por quilo, sistema self service. Acho nojento aquele monte de gente morrendo de fome e arfando em cima da comida, deixando cair sobre os pratos aqueles cabelos que teimam em ficar pendurados na manga do casaco. Antes um churrasco de domingo com carne de segunda na laje de um barraco na favela do que um almoço de balança no D.O.M

Odeio clubes, mais ódio eu tenho de piscina de clube. Odeio aquele monte de gente fingindo ser o que não é, aquelas mães burguesas que tem filhos pra aparecer e que insistem em levar as babás pra beira d’água enquanto elas, as madames, se lambuzam de óleo bronzeador comprado no freeshop no caminho pra Punta Del Este na esperança de ficar com a cor da salsicha pra hot dog da Sadia. Aliás, eu odeio Punta Del Este especialmente no verão. Odeio gente que vai pra praia fantasiada como se fosse desfilar na Sapucaí. Odeio gente que usa salto alto, jóia e maquiagem pra ir se esparramar na areia. Odeio gente que bate palma quando o sol se põe com um “tricô” nos ombros e um taça de clericot ao lado. Antes um domingão de sol no Piscinão de Ramos do que um final de semana em Punta. Em Ramos apesar de faltar dinheiro, existe a autenticidade que falta em Punta e que, vejam só, o dinheiro não compra.



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