Problemas no trabalho

by - 06:29


Como é que se faz pra separar os dramas da vida pessoal da rotina no trabalho? Quem aqui ja passou por uma situação pessoal difícil e conseguiu fazer cara de funcionário do mês na firma? É possível ir trabalhar numa boa e se concentrar nas tarefas depois de ter passado por um sofrimento monstruoso na noite anterior ? Dá pra segurar as lágrimas na frente do computador e não ter vontade de sair correndo do escritório direto pra debaixo das cobertas? Por favor, se alguém souber como se faz isso eu peço encarecidamente que deixe um comentário com a sua dica.

Hoje cedo enquanto me vestia pra vir trabalhar, assiti uma entrevista da Graça Foster que é a presidente da Petrobrás, explicando a necessidade de  aumentar o preço do combustível. E olhando aquela mulher tão profissional  falando com tanta segurança sobre um assunto de ordem nacional, me perguntei se ao mesmo tempo em que ela decide quanto vai custar a gasolina no país se não enfrenta um problemão em casa, se ela não lida com a morte recente de um parente ou um amigo próximo, se tem uma dívida grande que não consegue pagar (duvido que isso aconteça com a presidente da Petrobrás), enfim, se ela não ta passando por um momento dificílimo na vida e mesmo assim, consegue fazer cara de executiva fodona na frente de centenas de câmeras ou de milhares de subordinados.

Todo mundo que dorme e acorda diariamente neste planeta, algum dia na vida enfrentou ou vai enfrentar um problema sério e vai ter que fazer isso ao mesmo tempo em que vai à reuniões, assinar documentos importantes, operar um paciente, pilotar um avião, tomar decisões, construir um prédio, projetar uma casa. E dizem os entendidos que em momentos difíceis o melhor a se fazer é mesmo mergulhar no trabalho pra tentar pelo menos por um tempo, desviar o foco dos problemas pessoais. Ja tendo passado por situações bem xaropes na vida, digo com propriedade que não foi o trabalho que me salvou de todas elas. Ajudou? Claro que ajudou, mas na maioria das vezes cumpri a minha pauta diária de qualquer jeito e deixando muita coisa pela metade, já que volta e meia o sofrimento por aquilo que eu estava vivendo se manifestava no horário comercial.  Num dos Intervalos recentes deixei como dica um texto do Ivan Martins onde ele escreve exatamente sobre isso: trabalho e sofrimento. Concordo com a opinião dele quando diz que a sociedade capitalista subestima problemas de ordem afetiva ou emocional. Faltar ao trabalho porque ta gripado é aceitável, mas porque terminou um casamento de anos e tá sofrendo o diabo não pode? Assim com o Ivan também acho que não faz o menor sentido.

Enfim, eu não tenho uma resposta ou uma receita infalível pra que a gente possa separar as tragédias pessoais de cada um da rotina diária de trabalho. Não sei como se faz pra sofrer e chorar no banheiro da firma, e ao mesmo tempo tomar decisões importantes que podem influenciar drasticamente o destino de muita gente.

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