Amor después de la amor

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Tenho pensado muito ultimamente no que é que faz duas pessoas ficarem juntas e atravessarem os anos lado a lado, quase inabaláveis,  e tenho vários e bons exemplos no meu entorno que ilustram a máxima dos contos de fada infantil “e foram felizes para sempre”.

Na minha família (e como família aqui entenda-se meus pais, avós e tios) nunca houve um divórcio. É sério, nunca ninguém se separou de ninguém, todo mundo é casado com todo mundo desde sempre. Minhas avós foram casadas por quase (ou mais de) 50 anos com meus avôs e só a morte os separou. Meus pais são casados há mais de 30 anos. Meus vários tios e tias idem. Os casos de separação só começaram a acontecer a partir da minha geração e inclusive fui eu mesma quem inaugurou essa nova “moda” na família. E vendo tantos casos bem sucedidos de casamentos tão duradouros ao meu redor, eu fico me perguntando: o que será que mantém unida essa gente toda há tanto tempo? Será amor? Paixão? Desejo? Dinheiro (ou a falta dele)? Paciência? Tolerância? Filhos? Medo? Preguiça? Planos? Conformidade? Tradição?

Arrisco a dizer que é uma mistura de tudo isso que mantém todo mundo preso à todo mundo por tanto tempo assim. Se fosse só amor acho que não teriam ido tão longe porque amor sem planos não sobrevive. É mais ou menos como carro sem combustível: não liga. Se fosse só desejo e paixão, teriam terminado no 3º ou 4º ano de casamento porque qualquer idiota sabe que desejo e paixão tem prazo de validade bem curto e que a rotina costuma acelerar a sua decomposição. Filhos? Sim, acho que minhas avós tinham os filhos como um forte motivo pra continuarem casadas a 50, 60 anos atrás. E depois que venceram uma etapa longa ao lado dos maridos, acho que o medo, a preguiça, a conformidade e a tradição as mantiveram presas à eles. Talvez com 40 anos minhas avós se considerassem velhas demais pra recomeçar a vida sozinhas ou com um outro alguém.  Mas sabe o que eu acho mesmo, de verdade? Que nenhuma delas nunca quis se separar e jamais cogitaram essa hipótese simplesmente porque apesar de alguns pesares, estavam satisfeitas com as escolhas que fizeram. Estavam conformadas.

E daí eu olho pra essa realidade tão próxima de mim de casamentos tão felizes e longevos e fico pensando que é exatamente isso que a maior parte das pessoas quer quando casa, mas que nenhuma delas tem paciência pra construir isso. Porque todo mundo acha bem mais fácil jogar tudo pra cima ao menor sinal de uma crise ou dificuldade do que reinventar aquilo que ja tem dentro de casa. Não to dizendo que a gente deva viver infeliz ao lado de uma só pessoa até que a morte trate de nos separar porque foi isso o que juramos na frente do padre e de 500 amigos, mas acho que as pessoas desistem fácil demais e se iludem na mesma medida.

Acho que a receita pra perpetuar um casamento é saber a dose exata de amor, paixão, tesão, planos, filhos, dinheiro, tolerância, paciência, medo, conformidade e uma dose extra e bem generosa de vontade de fazer tudo isso acontecer.

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