Na sala com Danuza

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Embora ache que a Danuza Leão tenha errado feio na quantidade de plásticas e procedimentos estéticos que fez no rosto, o que a deixou parecidíssima com o Pato Donald, continuo gostando muito do que ela escreve, apesar de achar que plásticas e procedimentos estéticos não combinem com o posicionamento e o way of life dela.

Mas ok, esse post não é mesmo pra falar sobre a sucessão de experiências faciais mal feitas da Danuza Leão, e sim, do seu último livro entitulado É Tudo Tão Simples. Danuza foi modelo de grandes estilistas na juventude e depois casou com o jornalista Samuel Wainer então  por isso, frequentou as altas rodas no mundo todo. Nas suas andanças aprendeu muito sobre um comportamento minimante adequado e claro, sobre etiqueta. Sobre este assunto ela escreveu Na Sala com Danuza, lançado lá nos anos 1990 e que fez um enorme sucesso.

Mas voltando ao É Tudo Tão Simples, tava muito afim de ler esse livro há tempo e dia desses numa ida ao shopping acabei comprando e comecei a ler ali mesmo, dentro da livraria. Amei. Pra quem espera um manual de como segurar um garfo, como se comportar num coquetel, o que vestir num casamento no campo, pode esquecer. O livro não fala nada disso e nem é essa a proposta.  O que Danuza escreve é sobre como viver bem com pequenos luxos, que não necessariamente precisam custar uma fortuna. É como se comportar e sobreviver num mundo lotado de “ex pobres”, e que apesar de nos oferecer mil facilidades e quinhentos gadgets, ainda vive na era da pedra lascada no que diz respeito ao bom senso e à civilidade. E Danuza escreve tão facilmente sobre isso e ainda com uma ironia que eu adoro. Leitura obrigatória pra todo mundo na minha opinião.

Tomo a liberdade de colocar aqui alguns trechos do livro, algumas pérolas que eu encontrei entre as quase 200 páginas:

“As coisas viraram pelo avesso: as modas, os modos, o comportamento, o estilo – ou melhor, os estilos. Como o planeta está superpovoado e vai ficar cada vez mais, é necessário que as pessoas sejam educadas para que não se empurrem na hora de entrar no avião ou na fila do supermercado. Não estou falando de etiqueta – aliás, o que é isso mesmo? Se você nunca ouviu essa palavra, dê um Google, nosso amigo de todas as horas. Se tiver com preguiça, aí vai: etiqueta vem de ética, que não é regida por regras, mas só por você mesma, com a liberdade que tem – hoje mais do que nunca. [...] Ser ético é não furar a fila do cinema, não tentar pegar a mesa de pessoas que chegaram antes no restaurante, é jamais fazer charme pro namorado da amiga. Se você for gentil com o outro, o outro será gentil com você e assim, o mundo poderá parecer um lugar mais pacífico.
A ética se confunde com a boa educação, que não é luxo, mas artigo de primeira necessidade. Não é preciso ser rico para ser bem educado, basta ter respeito pelos direitos dos outros, o que suaviza as relações”...

“...Andei pensando nessa história de simplificar, e vejo que passei a primeira metade da minha vida querendo ter as coisas – todas as coisas – e estou passando a segunda metade querendo me desfazer das coisas, e ficar apenas com o essencial. Bem curiosa, a vida.”

Não pode:
  • Sapato caro, vestido caro, bolsa cara e jóias caras. Coisas caras, só uma de cada vez. Chique demais pode ser fatal, e parecer rica – tem mais brega?
  • Nada que seja identificável como grife, quer se trate de bolsa, sapato, saia, camiseta, malas, joias, coisas que todo mundo olha e já sabe o preço.
  • Mesmo que seus peitos sejam lindos – com ou sem silicone -, jamais saia com eles balançando, sem sutiã.
  • Contar histórias de filhos.
  • No primeiro encontro, escolha: ou decote, ou barriga de fora, ou perna de fora. E nos outros também.

“Não há lugar onde seja mais fácil saber se uma pessoa é ou não bem educada do que à mesa”.

“Palitos, ah, os palitos. Só no banheiro, sozinha, de luz apagada”.

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