Eu vi o meu passado passar por mim

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Hoje a tarde num momento inédito de ócio, resolvi reler os meus antigos blogs e vi o meu passado passar por mim, como ja dizia aquela música linda dos Paralamas do Sucesso.
Me vi a 8 anos atrás, então com 27 anos, um casamento pendurado na corda bamba, um frio na barriga por não saber o que fazer, um trabalho pesado numa agência de propaganda, muitos sonhos na cabeça e uma fome de viver.
Depois, lendo o blog mais recente, voltei 3 anos no tempo e relembrei um período difícil demais da minha vida quando ela me apresentou uma situação cascuda e inimaginável, me olhou bem séria e disse: te vira! E eu tive que aprender a passar por cima de mim mesma em nome de algo que eu acreditava com uma força tremenda. Uma força que eu nunca pensei que fosse capaz de ter.
E fazendo esse passeio ao passado numa tarde qualquer de sexta-feira, eu pude perceber que muita coisa mudou em mim e na minha vida nesse tempo todo. O casamento aquele caiu da corda bamba e não tinha rede de proteção la embaixo pra ampará-lo. O trabalho escravo eu aboli, deixei a senzala de lado e hoje trabalho dignamente na casa grande. Os acontecimentos de 3 anos atrás seguem aí, cada vez mais vivos e crescendo cada dia um pouquinho. O frio na barriga, os sonhos na cabeça e a fome de viver são o que me movem pra fora da cama a cada dia que amanhece.
E nessas releituras todas, achei um texto escrito pela Ticcia, uma blogueira gaúcha que se casou e se mudou pro Rio, e de quem eu sempre fui fã. Pro momento que to vivendo agora ele é perfeito, então por isso deixo ele aqui de novo registrado.


a precisão do que revela um momento difícil
por Patrícia 'Ticcia' Antoniete
de Porto Alegre [RS]

[10/09/2009]
E tem dias que a luz se apaga, os olhos perdem o fundo, os braços pesam, os joelhos dobram, as mãos retesam, o rosto desanda, a vida pára num soluço. Perdem-se os planos, os rumos, os anos, a festa, a dança, o ritmo, atrapalham-se os pés, confundem-se os passos e nada mais está no mapa. Viramos nós um vazio de território oco e tudo se apaga, como se nunca pudéssemos ter acreditado que existia. Lamentamos o sonho, desdenhamos da crença, tripudiamos a ingenuidade, nos arrependemos do antes que fica sem depois. O mundo enguiça, o tempo quebra e em cada uma das coisas algo morre. E então procuramos o que fica e o que fica diz quem somos.
*Patricia Antoniete Ferreira é uma advogada portoalegrense para quem tem sobrado cada vez mais.

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